quarta-feira, 25 de junho de 2008

Sou o que sou - PRIDE 2008

"Pain, pain and pain"


Ai! É uma droga ter que lidar com a dor. Ela chega sem avisar, e foi o que mais senti hoje de madrugada. Meu olho me deu um trabalhão de tantas pontadas que senti, sem brincadeira, tive que acordar minha mãe e foi terrível. As 4 horas da manhã eu pensei que iria ficar cego de vez. Mamãe como sempre cariosa e cuidadosa disse; "Hugo, de manhã vamos ao oftomologista. Enquanto isso você descansa e eu vou colocar águano forno para diminuir essa pressão". Bom, até que deu uma melhorada, mas ele tava vermelho - Olho sangue. Hoje a tarde fui a consulta marcada e fiz uma série de exames, e estou com uma inflamação no olho por contade sexta-feira. O dia que eu jamais vou esquecer.

Bom, chegando da consulta coloquei imediatamente o remédio - o colírio para inflamação. Tipo, terei que usar durante 30 dias os dois passados pela doutora. Aí depois disso tudo entrei na net e fui falar com o meu amigo Heitor e dizer o que tinha acontecido. E ele como sempre me aconselhou e se preocupou com a situação toda. Obrigado Entidade pela ajuda, e desculpa ausência esses dias. Mas a vida não é doce para todo mundo e um ex-affair meu veio no msn reclamar que a foto dele estava no meu blOg. E tipo, eu não estava com muita paciência para resolver essas coisas de: ser assumido e não ser assumido. Tive uma breve conversa e disse: "Não vou tirar sua foto daí, é uma montagem antiga que fiz e irá ficar. Gosto muito de você, mas já é doença essa sua perseguição pela heterossexualidade". Eu adoro ele de verdade, tipo, foi uma das pessoas mais legais que pude conhecer. Doce, sensato e tem ótimos beijos. Mas não demos certo porque ele é escondido e eu não. E não será hoje que iremos resolver essa pendência. Entendo os motivos dele, mas ele precisa entender que uma foto não mata, não machuca e não julga.

Essa sociedade é muito injusta, e uns querem somente amar e ser felizes. E ela dita, corrompe e impõe suas regras. Mas eu aprendi no começo da faculdade que lutar pelos nossos direitos não começa pedindo para que o "governo" o faça. E sim, começa por mim. Lutar por mim, me amar primeiro acima de tudo. Talvez, deve ser daí que me assumi minha sexualidade. Eu não fiz isso pelos outros, eu aceitei o preço e quis ser feliz. Gente! Quem já estudou sobre a ditadura, o nazismo, o fascismo na Itália? Esses sistemas eram totalmente homofóbicos, e como eles deixaram de existir? Porque teve pessoas com uma mente parecida com a minha para expor, explorar e até mesmo morrer para conseguirmos a independência e a tão sonhada demôcracia.


Eu paguei e pago por um preço alto por ter esse tipo de atitude, mas não posso ficar chorando e me sentindo vítima por isso. Várias outras pessoas já fizeram isso. Tenho amigos que ate expulso de casa já foram, e por um periodo de suas vidas sofreram bastante. E desde dos tempos mitologicos temos medo da culpa, do que o outro vai pensar, o que poderá acontecer comigo. Bom, se ficarmos somente nesses porquês jamais saberemos a resposta. Já vivi histórias de amor, sim, mas eu bem sei que um dia elas acabam por algum motivo. Mas, a melhor história é a que estou vivendo agora: a minha, a que constroi dentro de mim. "Bichinha, viado, gay, maricona, mona, cona, boiola, homo, pederastra, Bi": São somente palavras que os próprios humanos a inventaram para atingir psicologicamente cada um de nós. Basta EU aceitar isso ou não. E acreditem, eu não me permito a me sentir atingido por tais palavras.
Vivo minha verdade, não a verdade que queiram que eu a vivo.

Eu tinha uma professor gay que me dizia: "Hugo se você não lutar pelos seus direitos. Direitos de privacidade, direitos de amar, de respeito. Quem irá fazê-lo por você? O vizinho, sua família, seu amigo. NÃO. Quem tem que fazer isso é você". E é a pura verdade. Não posso me permitir a viver no medo para alimentar os outros demônios. Meus amigos: Patrick, Sonick, Miau, Heitor, Biel e Thiago sabem bem o que passaram para se aceitar: E estamos no pódio por tal ato? Não, mas tentamos o primeiro passo da vida: Se aceitar do jeito que você é.
Para os pessimitas e preconceituosos de plantão eu vos direi: "Não existe homem igual a nenhum outro homem". Somos diferentes na nossa essência, e é nela que temos que conviver.

Olha, eu não sou o tipo "homo político" e nem faço isso uma forma de viver, afinal, cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Mas viver para o outro, mesmo que o outro seja sua mãe, seu pai, seu irmão: é errado. Faço isso por mim, e assim sempre o farei. UFA! Desabafei


Por isso que domingo agora (29.6.8) vou a parada gay de Brasília. É um dia que podemos dizer para todos os heterossexuais preconceituosos e dissimulados de plantão. Falar para toda a sociedade que a diferença precisa ser aceita em: emprego, bancos, família, conferências. E claro, respeitar aqueles que se assumem e aqueles que não se assumem tb.


Bom, é isso...E dedico esse texto especialmente àqueles que estão presos, mas ainda não sabem disso. Afinal, se você acha que a prisão é a carcerária. Se engana, ela aparece de outras formas tb.


[OuvindO...Don Allen - I Got My Pride.mp3]

2 comentários:

Unknown disse...

Isso deve ser enviado ou à revista DOM ou à JUNIOR!
Mona, sempre to contigo!!!!
Arraza!!!!

| - hєiтøя™ » | disse...

ADOOOOOREI o texto kirida! achei biscoito finoo hein caralho.. e desabafou geeral; e isso mesmo que sentimos.. temos q ir a luta e exigir nossos direitos, SEMPRE! como seu professor mona disse, se não formos atras, ninguem irá! Parabéns pelo texto gata, luxoo GLAM e gotas de diamante sobre você! ;]

beijo, e melhoras mona